O óleo de rosa mosqueta é um dos óleos vegetais mais valorizados nos cuidados com a pele. Utilizado há décadas na prática dermatológica e cosmética, é conhecido por melhorar a aparência de cicatrizes, auxiliar na prevenção de estrias e contribuir para uma pele mais hidratada, macia e uniforme.
Mas, afinal, existe uma espécie de rosa mosqueta melhor do que a outra? E de onde vêm tantas informações sobre vitamina C, vitamina A e ácido trans-retinoico associadas a esse óleo?
Rosa canina ou Rosa rubiginosa: qual é melhor?
Um dos mitos mais difundidos é que o óleo de Rosa rubiginosa, especialmente quando obtido por prensagem a frio, seria necessariamente superior ao óleo de Rosa canina para o tratamento de manchas.
Essa ideia está frequentemente relacionada à presença de ácido trans-retinoico (tretinoína), um derivado da vitamina A amplamente estudado na dermatologia para acne, fotoenvelhecimento e alterações de pigmentação.
A tretinoína tópica realmente possui evidências robustas para essas aplicações, mas isso não significa que o óleo de rosa mosqueta contenha quantidade suficiente dessa substância para reproduzir seus efeitos farmacológicos.
Um estudo que analisou a composição do óleo de Rosa rubiginosa encontrou apenas 0,357 mg/L de ácido trans-retinoico, equivalente a aproximadamente 0,00003%. Trata-se de uma concentração muito baixa quando comparada às formulações dermatológicas de tretinoína, que geralmente utilizam concentrações muito superiores.
Portanto, não há base científica suficiente para atribuir o potencial clareador do óleo de rosa mosqueta à presença de tretinoína, nem para afirmar que seu uso precise ser restrito ao período noturno por esse motivo.
Outro ponto importante: esse estudo não comparou Rosa rubiginosa e Rosa canina. A pesquisa avaliou a influência do método de extração sobre o teor de ácido trans-retinoico. O óleo obtido por prensagem a frio apresentou aproximadamente sete vezes mais desse composto do que o óleo extraído por solvente.
O óleo de rosa mosqueta é rico em vitamina C?
Outro equívoco frequente é considerar o óleo de rosa mosqueta uma fonte de vitamina C.
O ácido ascórbico é uma molécula hidrossolúvel, enquanto o óleo é constituído predominantemente por substâncias lipossolúveis. Por isso, a vitamina C não é um dos principais componentes do óleo vegetal de rosa mosqueta.
Quando o objetivo é utilizar os compostos hidrossolúveis presentes no fruto, o extrato de rosa mosqueta é uma opção mais adequada do que o óleo.
Isso, porém, não diminui o valor cosmético do óleo. Pelo contrário: seus benefícios estão relacionados principalmente à sua rica composição lipídica e à presença de compostos bioativos.
Por que o óleo de rosa mosqueta é tão interessante para a pele?
A riqueza do óleo de rosa mosqueta está, principalmente, em seu perfil de ácidos graxos, com destaque para o ácido linoleico, o α-linolênico e o oleico. Esses componentes contribuem para a manutenção da barreira cutânea, hidratação e integridade da pele. Estudos pré-clínicos também indicam que esses ácidos graxos podem contribuir para a redução da hiperpigmentação induzida pela radiação UV, além de apresentarem efeitos relacionados à modulação da inflamação e à hidratação da pele.
O óleo de rosa mosqueta também apresenta uma fração insaponificável rica em compostos bioativos, como tocoferóis e carotenoides, incluindo o beta-caroteno. Esses componentes contribuem para a atividade antioxidante do óleo e também estão relacionados à sua característica coloração alaranjada.
É justamente a combinação desses diferentes componentes que ajuda a explicar o valor do óleo de rosa mosqueta para a pele. Seus benefícios não dependem de uma suposta alta concentração de tretinoína ou vitamina C, mas de um conjunto de ácidos graxos e compostos bioativos que atuam de maneira complementar no cuidado, hidratação e proteção da pele.
Óleo de rosa mosqueta na prática clínica
Na prática clínica e cosmética, o óleo de rosa mosqueta é utilizado há décadas no cuidado de diferentes condições da pele, incluindo feridas, estrias, melasma, sinais do envelhecimento cutâneo, cicatrizes de acne, cicatrizes hipertróficas e queloides. Também é uma opção interessante para formulações destinadas ao cuidado da pele após exposição solar, depilação e barbear, especialmente quando se busca conforto, nutrição e recuperação da barreira cutânea.
O que mostram os estudos?
Um estudo clínico avaliou 108 pacientes idosos submetidos à remoção cirúrgica de tumores. Após a retirada dos pontos, um grupo foi orientado a aplicar óleo de rosa mosqueta sobre a cicatriz duas vezes ao dia durante seis semanas, enquanto o grupo-controle não recebeu tratamento tópico específico.
Na avaliação realizada pelo dermatologista, o grupo que utilizou o óleo apresentou melhor aparência clínica das cicatrizes. Após 12 semanas, 73% dos participantes não apresentavam eritema, 63% não apresentavam descoloração e 85% não apresentavam hipertrofia. No grupo-controle, esses valores foram de 50%, 21% e 62%, respectivamente.
Esses resultados sugerem que o óleo de rosa mosqueta pode favorecer a aparência estética das cicatrizes durante o processo de recuperação da pele.
Outros estudos também investigam seu potencial no processo de cicatrização, hidratação e recuperação da barreira cutânea, ampliando o interesse pelo óleo de rosa mosqueta em formulações destinadas a peles sensibilizadas, ressecadas ou em processo de reparação.
Rosa canina ou Rosa rubiginosa?
As duas espécies têm perfil de ácidos graxos semelhantes. Por isso, tanto o óleo de Rosa canina quanto o de Rosa rubiginosa podem fazer parte de uma rotina de cuidados voltada para hidratação e manutenção da barreira cutânea, redução da aparência de cicatrizes e prevenção dos sinais do envelhecimento.
Como usar o óleo de rosa mosqueta na pele?
O óleo de rosa mosqueta pode ser incorporado à rotina de cuidados de diferentes tipos de pele, especialmente quando há necessidade de maciez, hidratação e suporte à barreira cutânea.
Em peles secas ou sensibilizadas, pode contribuir para melhorar a maciez e a elasticidade. Em regiões mais ásperas, como joelhos, cotovelos e calcanhares, ajuda a recuperar a sensação de suavidade e flexibilidade.
Já em peles oleosas ou com tendência à acne, seu uso deve ser feito em quantidade moderada, observando a resposta de cada pele.
Sugestões de uso
O óleo de rosa mosqueta pode ser utilizado puro ou como óleo vegetal carreador para óleos essenciais, criando combinações direcionadas a diferentes necessidades da pele.
Para o cuidado de cicatrizes e queloides:
Em 30 mL de óleo vegetal de rosa mosqueta, adicione 3 gotas de óleo essencial de copaíba e 3 gotas de óleo essencial de patchouli. Aplique 2 vezes ao dia uma pequena quantidade sobre a cicatriz.
Para manchas e aparência mais uniforme da pele:
Em 30 mL de óleo vegetal de rosa mosqueta, adicione 2 gotas de óleo essencial de copaíba, 2 gotas de óleo essencial de patchouli, 2 gotas de óleo essencial de pinho siberiano e 2 gotas de óleo essencial de cipreste. Aplique 2 vezes ao dia sobre a pele limpa.
Para linhas de expressão e sinais do envelhecimento:
Em 30 mL de óleo vegetal de rosa mosqueta, adicione 2 gotas de óleo essencial de mirra, 2 gotas de óleo essencial de palmarosa e 2 gotas de óleo essencial de copaíba. Aplique 2 vezes ao dia.
Autora: Daiana Petry
Referências:
- Valerón-Almazán P, et al. Evolution of Post-Surgical Scars Treated with Pure Rosehip Seed Oil. Journal of Cosmetics, Dermatological Sciences and Applications. 2015;5:161-7. doi: 10.4236/jcdsa.2015.52019.
- PETRY, Daiana. Óleos vegetais para o cuidado da pele e dos cabelos. 1. ed. Florianópolis, SC: Instituto de Aromaterapia Integrativa Daiana Petry, 2025.